Philip Morris é acusada de usar mão-de-obra infantil em plantações de tabaco no Cazaquistão
15/07/2010 - 00h54Philip Morris é acusada de usar mão-de-obra infantil em plantações de tabaco no CazaquistãoAndrew E. Kramer Em Moscou (Rússia)
Uma mulher diz que crianças de até dez anos de idade que trabalham nas plantações de tabaco apresentam manchas vermelhas na barriga e pescoço quando colhem o produto que é utilizado nos cigarros fabricados pela Philip Morris. Uma outro trabalhadora migrante que trabalha nos campos de tabaco do Cazaquistão conta que um fazendeiro confiscou os seus documentos de identificação e se negou a pagar a ela o salário devido na tentativa de obrigá-la a continuar trabalhando apesar das condições terríveis do local. Leia mais textos de jornais internacionais:A Human Rights Watch, a organização que é mais conhecida por documentar abusos governamentais e crimes de guerra, pretende divulgar um relatório na próxima quarta-feira que mostrará que as práticas de trabalho infantil e forçado estão disseminadas nas fazendas que fornecem tabaco a uma fábrica de cigarros da Philip Morris International no Cazaquistão, na Ásia Central. O relatório diz que, embora o trabalho infantil deva ser condenado em quaisquer circunstâncias, empregar crianças nas fazendas de tabaco é algo especialmente perigoso porque os trabalhadores dos campos de tabaco são expostos a níveis elevados de nicotina durante essa atividade. Somente uma pequena fração das aquisições globais de tabaco pela Philip Morris são feitas no Cazaquistão, e todo o tabaco cultivado em fazendas que empregam trabalho infantil é usado para a fabricação de cigarros consumidos nos ex-países soviéticos. Após receber uma cópia prévia do relatório, a Philip Morris declarou que concorda com mudanças amplas na sua política de aquisição de tabaco no Cazaquistão. “A Philip Morris International se opõe firmemente ao trabalho infantil”, desse Peter Nixon, um porta-voz da Philip Morris, em uma entrevista por telefone do escritório da sua companhia em Lausanne, na Suíça. A Human Rights Watch diz que, embora o trabalho infantil no setor agrícola seja comum na Ásia Central, o ambiente particularmente prejudicial característico das fazendas de tabaco exige uma atenção especial. O relatório menciona condições de trabalho que seriam perigosas tanto para crianças quanto para adultos. Por exemplo, devido à falta de acesso a água potável, os trabalhadores acabam bebendo água de canais de irrigação contaminados com pesticidas, diz o relatório. O grupo entrevistou 68 trabalhadores de fazendas de tabaco em um distrito do Cazaquistão durante a colheita, no outono passado, e os identificou apenas pelos primeiros nomes ou iniciais.
Escrito por Li Hsi en Chien às 19h44
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Philip Morris é acusada de usar mão-de-obra infantil em plantações de tabaco no Cazaquistão
(última parte) Todos eles, incluindo as crianças, são trabalhadores migrantes vindos de países vizinhos da Ásia Central, na sua maioria do Quirguistão. O relatório também documentou violações de regras básicas de segurança de trabalho rural, como o fato de os trabalhadores usarem sapatos abertos, que expõem os dedos dos pés, quando trabalham com enxadas afiadas. Os pesquisadores da Human Rights Watch documentaram 72 casos de crianças que trabalhavam nos campos de tabaco cazaques, que empregam cerca de mil trabalhadores migrantes a cada temporada. Muitos deles são pagos por produtividade, com base na tonelada de tabaco colhido. O grupo afirmou que isso se constitui em um estímulo para que os pais tragam os seus filhos para os campos de tabaco na época da colheita. Mesmo assim, segundo o relatório, as famílias recebem apenas umas poucas centenas de dólares pelo seu trabalho semestral, após pagarem as dívidas contraídas junto aos fazendeiros e as despesas da viagem. “Uma companhia como a Philip Morris sem dúvida conta com os recursos necessários para por um fim a essas práticas”, disse em uma entrevista Jane Buchanan, pesquisadora da Human Rights Watch e autora do relatório. Nixon, o porta-voz da Philip Morris, afirmou que a companhia já implementa políticas que proíbem a aquisição de tabaco oriundo de fazendas que utilizem trabalho infantil. De acordo com ele, no decorrer dos anos, essa política reduziu as práticas abusivas nas fazendas de tabaco cazaques – uma afirmação que a Human Rights Watch declarou que foi corroborada nas suas entrevistas. Mesmo assim, Nixon disse que a Philip Morris intensificará os seus esforços para eliminar o trabalho infantil. Ele afirmou que a Philip Morris “apreciou” o fato de a Human Rights Watch ter chamado a atenção da companhia para a persistência desse tipo de abuso. Mas Buchanan disse que a Philip Morris tem responsabilidade moral pelo destino dos trabalhadores infantis no Cazaquistão, mesmo que a companhia não seja o empregador direto das crianças. Ela citou precedentes estabelecidos por companhias de roupas e calçados esportivos que, no decorrer da década passada, exigiram que os seus fornecedores asiáticos proibissem o trabalho infantil. “As companhias têm que contar com políticas para o reconhecimento e a retificação de problemas relativos a direitos humanos na sua cadeia de produção”, afirmou Buchanan. O tabaco pode ser uma cultura prejudicial à saúde antes mesmo de chegar aos cigarros. A nicotina é absorvida pela pele do trabalhador por meio do manuseio contínuo das folhas de tabaco. A enfermidade resultante nos trabalhadores das fazendas de tabaco é chamada de doença do tabaco verde, e provoca náusea, vômitos e vertigem. Manchas vermelhas na pele também são comuns. O relatório cita estudos que indicam que os trabalhadores dos campos de tabaco podem absorver, em um único dia, uma quantidade de nicotina equivalente àquela absorvida por um indivíduo que fumou 36 cigarros. “As crianças são especialmente vulneráveis devido ao seu pequeno tamanho corporal em relação à dose de nicotina que absorvem”, diz o relatório. Os fazendeiros estudados pela Human Rights Watch fornecem tabaco para a Philip Morris Kazakhstan, uma subsidiária da Philip Morris International, com sede em Nova York. A companhia, que faz parte do Grupo Altria, vende cigarros em 160 países fora dos Estados Unidos, incluindo o Cazaquistão. A Philip Morris USA vende várias das mesmas marcas comercializadas no exterior nos Estados Unidos, sendo que a mais notável é a do cigarro Marlboro. Entretanto, a Philip Morris USA é uma companhia distinta. Nixon disse que a companhia exigirá que os fazendeiros assinem contratos com trabalhadores adultos durante a temporada de cultivo de tabaco deste ano, e que ela contratará um monitor externo para averiguar se as fazendas estão cumprindo as leis referentes ao trabalho infantil. Neste ano, a companhia criou uma colônia de férias para os filhos de trabalhadores migrantes da região produtora de tabaco do Cazaquistão. Ela também exigirá que os fornecedores paguem salários mensais, em vez de uma quantia baseada na produção, a fim de desencorajar os pais migrantes a trazerem os seus filhos para ajudá-los nos campos de tabaco. Em 2009, a receita líquida da Philip Morris International foi de US$ 25 bilhões (R$ 44,1 bilhões) com a venda de cigarros, incluindo marcas comercializadas globalmente como Marlboro, L&M, Chesterfield e Bond Street. A aquisição de tabaco pela companhia no Cazaquistão é pequena quando comparada às suas operações globais. A Philip Morris comprou 1.500 toneladas de tabaco no Cazaquistão em 2009, mas, naquele ano, o total da sua aquisição global de tabaco foi de 400 mil toneladas. A companhia diz que possui contratos com 300 fazendas no Cazaquistão, empregando cerca de 1.200 trabalhadores sazonais. De acordo com Nixon, esses trabalhadores são acompanhados por uma média de 200 crianças. O tabaco cazaque é usado apenas para a fabricação de marcas locais desconhecidas fora dos mercados dos países que integravam a antiga União Soviética, incluindo os cigarros Polyot e o Apollo-Soyuz. Tradução: UOL
Escrito por Li Hsi en Chien às 19h43
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Autópsias feitas em animais no Golfo do México revelam apenas um mistério
15/07/2010 - 01h30Autópsias feitas em animais no Golfo do México revelam apenas um mistérioShaila Dewan, Em Gainesville, na Flórida (Estados Unidos) A tartaruga-de-Kemp jaz de barriga para cima na mesa metálica de autópsia, pálida como uma sopa de ervilhas amarelas, exceto pelo “X” de cor laranja brilhante pintado na sua carapaça, que prova que ela foi registrada como parte da “ocorrência incomum de mortalidade” que está em andamento no Golfo do México. Cortada pela faca habilmente manejada do patologista veterinário Brian Stacy, o espécime começa a revelar os seus segredos: primeiro, quando a carapaça peitoral é levantada, surge uma massa de órgãos ressecados na poça de um líquido vermelho malcheiroso que é produzido à medida que avança o processo de decomposição. A seguir, aparecem as reservas de gordura, indicando boa saúde. Depois, quando Stacy abre o esôfago do animal, surge a pista mais reveladora: um pedaço de camarão, o último alimento que foi ingerido pela tartaruga. “A gente não vê camarões sendo consumidos como parte da dieta normal das tartarugas-de-Kemp”, diz Stacy. Essa tartaruga, que foi encontrada flutuando em Mississippi Sound em 18 de junho, é uma das milhares de criaturas mortas que foram coletadas ao longo da costa do Golfo do México desde que a plataforma de petróleo Deepwater Horizon explodiu. Examinadas para que se determine se elas contém petróleo, rotuladas e enroladas em “sacos de corpos” de plástico selados com fita de perícia legal, as carcaças – cujo número é muitas vezes superior ao que é normalmente encontrado nesta época do ano – estão se acumulando em caminhões frigoríficos estacionados ao longo da costa, aguardando que cientistas como Stacy, que trabalha para a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), deem início ao processo de investigação para determinar o que matou esses animais. Apesar do suspeito óbvio, o petróleo, a resposta está longe de ser clara. A grande maioria dos animais mortos que foram encontrados – 1.387 pássaros, 444 tartarugas, 53 golfinhos e um cachalote – não traz sinais visíveis de contaminação. Grande parte da evidência no caso das tartarugas aponta, na verdade, para a atividade de pesca do camarão ou outras modalidades de pesca comercial, mas outros suspeitos incluem gases de petróleo, alimentos contaminados pelo produto, os dispersantes utilizados para fragmentar o petróleo ou até mesmo doenças. O rastro de evidências tem início nas patrulhas marítimas no Mississípi, onde mais da metade das tartarugas mortas foi encontrada, e termina em um laboratório de toxicologia em Lubbock, no Estado do Texas, e nesta sala de autópsia animal na Universidade da Flórida em Gainesville. Os resultados ajudarão a determinar quantos milhões de dólares a British Petroleum pagará devido a processos civis e criminais – uma quantia que é bem maior em se tratando de espécies ameaçadas como as tartarugas marinhas –, e proporcionarão uma grande quantidade de informações relativas aos pouco conhecidos efeitos do petróleo sobre as espécies protegidas do Golfo do México.
Escrito por Li Hsi en Chien às 19h38
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Autópsias feitas em animais no Golfo do México revelam apenas um mistério
(última parte)
Procurando uma pistaEm um laboratório da Universidade de Tecnologia do Texas, em Lubbock, Jennifer Cole, uma estudante de pós-graduação, está fatiando um precioso pedaço de tecido vivo de golfinho em seções de 0,3 milímetros de espessura. Supervisionada por Celine Godard-Codding, uma toxicologista especializada em espécies ameaçadas, Cole está estudando o citocromo P450 1A1, uma enzima que degrada hidrocarbonetos. As amostras de tecidos representam uma das únicas maneiras de se aprender mais a respeito de toxinas em mamíferos oceânicos e tartarugas marinhas. Mas a condição de animais protegidos dessas espécies limita os tipos de estudos que podem ser feitos sobre eles. Os pesquisadores não podem, por exemplo, realizar experimentos para determinar a intensidade de exposição ao petróleo que esses animais suportam. O petróleo – inalado ou ingerido – pode provocar lesões cerebrais, pneumonia, danos aos rins, estresse e morte. Os cientistas que trabalham com o vazamento da British Petroleum viram animais cobertos de óleo que estão sofrendo de extrema exaustão e hipertermia, já que o petróleo flutuante atinge temperaturas superiores a 54ºC, diz Stacy. Muito menos se sabe sobre os efeitos dos dispersantes, tanto no que se refere a estes produtos em si quanto à mistura deles com petróleo, embora quase oito milhões de litros dessas substâncias já tenham sido usadas pela British Petroleum na tentativa de amenizar os efeitos do vazamento. Estudos revelam que os dispersantes, que fragmentam o petróleo em pequenas gotras e que podem fragmentar também membranas celulares, tornam o petróleo mais tóxico para certos animais, como filhotes de pássaros. E os solventes que eles contêm são capazes de romper as células vermelhas do sangue, provocando hemorragias. Pairam suspeitas sobre os camaroneirosQuando o tenente Donald Armes, da Patrulha Marítima do Mississípi, ouviu falar da grande quantidade de tartarugas que apareceram mortas nas costas do Estado, a primeira suspeita que lhe veio à mente não foi o petróleo, mas sim os barcos camaroneiros. “A gente conclui instantaneamente que há algo de errado com os 'dispositivos' usados por certas pessoas”, disse ele recentemente. Por “dispositivos” ele se refere aos dispositivos excluidores de tartarugas, que os camaroneiros deveriam usar. Sem eles, as traineiras podem ser um dos maiores perigos para as tartarugas, que podem ficar presas nas redes e afogarem-se. Os dispositivos proporcionam a elas uma via de escape. Um outro tipo de rede para a pesca do camarão, chamada skimmer, não está sujeita à exigência legal de ser dotada de um dispositivo excluidor. Em vez disso, o período durante o qual as redes skimmer podem ser arrastadas pelas embarcações é limitado, a fim de proporcionar às tartarugas capturadas uma oportunidade de subirem à tona para respirar. Quando a estação de pesca do camarão teve início no Mississípi, em 3 de junho, a patrulha marítima inspecionou todos os barcos e não encontrou qualquer violação à lei relativa aos excluidores, diz Armes. Mas, em 6 de junho, 12 tartarugas mortas foram encontradas no Mississípi em um único dia. Mortandades similares de tartarugas ocorreram quando trechos das águas da Luisiana foram abertos para a atuação dos camaroneiros, e como a maior parte das águas na área do vazamento da British Petroleum foi fechada para a pesca, as mortes de tartarugas diminuíram. Leia mais notícias sobre o vazamento da BP:Os camaroneiros emergiram como um dos suspeitos principais na investigação feita pela NOAA, quando, após uma série de necrópsias realizadas em tartarugas no início de maio, Stacy anunciou que mais da metade das carcaças apresentava sedimentos nas vias aéreas ou nos pulmões – algo que evidencia morte por afogamento. Segundo Stacy, a única explicação plausível para um número tão elevado de mortes por afogamento é, conforme ele diz, “a interação com os pescadores”. Os ambientalistas viram essa descoberta como uma confirmação das suas suspeitas de que os camaroneiros, aproveitando-se do fato de a Guarda Costeira e outras agências de inspeção estarem ocupadas com o vazamento de petróleo, desativaram os seus dispositivos de exclusão de tartarugas. Autoridades nos Estados de Luisiana e Mississípi dizem que tartarugas morrem na temporada de pesca de camarão, mesmo quando os camaroneiros obedecem à lei, devido a colisões com embarcações e outros acidentes. Eles dizem ainda que uma quantidade muito menor de camaroneiros está trabalhando desde o início do vazamento, em parte porque muitos deles alugaram os seus barcos para a British Petroleum. Isso deveria significar uma diminuição, e não um aumento, de mortes de tartarugas. Mas tem havido também atividades ilegais. Na Luisiana, agentes do governo apreenderam mais de 9.000 toneladas de camarão e autuaram mais de 350 pescadores profissionais que trabalhavam em águas que se encontravam fechadas para a atividade devido ao vazamento de petróleo. Em junho, no Mississípi, três traineiras foram pegas em flagrante excedendo o tempo máximo legal de arrasto – uma delas apenas horas após o camaroneiro ter recebido um folheto que explicava que o período máximo de arrasto de redes havia sido reduzido, conta Armes. Identificando dificuldades No laboratório de necrópsias em Gainesville, Stacy abre a delicada traqueia da tartaruga, em busca de traços de sedimentos, um sinal de morte por afogamento. Ele não descobre nada na traqueia, e a seguir examina a membrana ressecada, que mal pode ser reconhecida como sendo os pulmões do animal. Nos pulmões, ele também não encontra nada. De certa forma, as necrópsias têm apresentado mais questões do que respostas, demonstrando como o petróleo tornou-se apenas mais uma variável em um ecossistema complexo. No final de junho, um golfinho examinado no Instituto de Estudos de Mamíferos Marinhos, em Gulfport, no Estado do Mississípi, apresentava sinais de emagrecimento, mas o seu estômago estava cheio de peixe, o que sugeria que ele poderia ter comido exageradamente após enfrentar um período de dificuldade para encontrar alimento. Um outro golfinho, com costelas quebradas, foi atingido por um barco, uma catástrofe que os golfinhos geralmente são suficientemente ágeis para evitar. O veterinário, Connie Chevis, descobriu uma substância semelhante ao piche na garganta do golfinho. A substância será analisada para que se saiba se ela é oriunda do vazamento da British Petroleum, mas uma hipótese é que o animal possa ter ficado desorientado devido à exposição ao petróleo, que pode ter um efeito narcótico, fazendo com que os golfinhos fiquem incapazes de evitar uma colisão com um barco. Lori Deangelis, uma operadora de uma empresa turística de observação de golfinhos em Perdido Bay, diz que os golfinhos observados nos seus recentes passeios têm “agido como se tivessem tomado uns três martínis”. O resultado gera questões quanto aos efeitos indiretos do petróleo. Seria o petróleo, por exemplo, responsável por um suposto aumento acentuado do número de tartarugas nas águas costeiras do Mississípi e da Luisiana? A população de tartarugas-de-Kemp tem se recuperado graças a anos de medidas de proteção. Mas alguns cientistas especulam que o vazamento de petróleo estaria fazendo com que os animais marinhos rumassem para a costa, saturando áreas nas quais existe um maior tráfego de embarcações, e criando as condições para que ocorram acidentes fatais. Tradução: UOL
Escrito por Li Hsi en Chien às 19h37
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À medida que mais usuários do Facebook morrem, fantasmas buscam se reconectar
18/07/2010 - 00h01À medida que mais usuários do Facebook morrem, fantasmas buscam se reconectarJenna WorthamCourtney Purvin teve um choque quando visitou o Facebook no mês passado. O site sugeria que ela entrasse em contato com um velho amigo da família, que tocou piano no casamento dela há quatro anos. O amigo tinha morrido em abril. “Aquilo me apavorou”, ela disse. “Era como se ele estivesse voltando dos mortos.” O Facebook, a maior rede social do mundo, sabe muito a respeito de seus cerca de 500 milhões de membros. Seu software é rápido em oferecer toques úteis a respeito de coisas como aniversários iminentes e amigos que você não contata há algum tempo. Mas a empresa tem tido dificuldade em automatizar a tarefa de determinar quando um de seus usuários morreu. Isso pode levar a alguns momentos perturbadores ou simplesmente estranhos para os usuários do Facebook, enquanto o site continua submetendo um amigo falecido aos seus algoritmos sociais. O Facebook diz que está tentando descobrir como lidar com os fantasmas em sua máquina, mas reconhece que não encontrou uma boa solução. “É um assunto muito sensível”, disse Meredith Chin, uma porta-voz da empresa, “e, é claro, ver amigos falecidos aparecerem pode ser doloroso”. Dado o tamanho do site, “e pessoas morrendo diariamente, nós nunca seremos perfeitos em descobrir isso”, ela acrescentou. James E. Katz, um professor de comunicações da Universidade Rutgers, disse que a empresa está experimentando um “problema do amadurecimento”. “Muitos dos primeiros usuários do Facebook eram jovens e a morte era rara e excessivamente trágica”, disse Katz. Agora, pessoas com mais de 65 anos estão adotando o Facebook em um ritmo mais rápido do que qualquer outra faixa etária, com 6,5 milhões se registrando apenas em maio, três vezes mais do que em maio de 2009, segundo a empresa de pesquisa comScore. As pessoas com mais de 65 anos, é claro, também apresentam a taxa de mortalidade mais alta do país, de forma que o problema tende apenas a piorar. Tamu Townsend, uma escritora técnica de 37 anos de Montreal, disse que recebe regularmente chamadas de conhecidos e amigos que faleceram. “Às vezes é confortante quando os rostos deles aparecem”, disse Townsend. “Mas às vezes não é. O serviço diz para você entrar em contato com alguém com quem você não pode. Quando é uma pessoa que morreu recentemente, é doloroso.” Purvin, uma professora de 36 anos que mora em Plano, Texas, disse que após receber o susto inicial de ver o rosto de seu amigo, ela ficou feliz pela lembrança. “Aquilo me fez começar a falar a respeito dele e a pensar nele, então foi bom”, ela disse. “Mas certamente foi um pouco assustador.” A abordagem do Facebook para a morte de seus usuários tem mudado com o tempo. No início ele apagava imediatamente o perfil da pessoa que ele tomava conhecimento que morreu. Chin diz que o Facebook agora reconhece a importância de encontrar uma forma apropriada de preservar as páginas como um local onde o processo de luto pode ser compartilhado online. Após o massacre na Virginia Tech em 2007, os membros imploraram à empresa para permitir que homenageassem as vítimas. Agora os perfis dos membros podem se transformar em “memoriais”, ou ser convertidos em páginas de tributo despojadas de informações pessoais, deixando de aparecer nos resultados de busca. Os amigos de luto ainda podem postar mensagens nessas páginas. É claro, a empresa ainda precisa determinar se um usuário está, de fato, morto. Mas com uma relação de aproximadamente 350 mil membros para cada funcionário do Facebook, a empresa precisa encontrar formas de permitir que seus membros e seus computadores façam grande parte desse trabalho. Para um site do tamanho do Facebook, a automação é “chave para o sucesso da mídia social”, disse Josh Bernoff, um analista da Forrester Research e co-autor de “Fenômenos Sociais nos Negócios”. “A forma de fazer isso funcionar, em casos onde as máquinas não podem tomar decisões, é fazer uso dos membros”, ele disse, apontando para os botões do Facebook que permitem aos usuários denunciar material que consideram impróprio. “Uma forma de automatizar o problema do ‘ele morreu’ é ter um lugar onde as pessoas possam informar.” É exatamente o que o Facebook faz. Para transformar um perfil em um memorial, um parente ou amigo deve preencher um formulário no site e fornecer prova da morte, como um link para um obituário ou um artigo de notícia. Um funcionário do Facebook, então, analisará. Mas essa opção não é bem divulgada, de forma que muitos perfis de membros mortos nunca são convertidos em páginas de tributo. Essas pessoas continuam aparecendo nas páginas de outros membros como sugestões de amigos, ou como sugestões para retomada de contato, algo que tem assustado os vivos desde que foi introduzido em outubro passado. Chin disse que o Facebook estava considerando usar um software que procuraria por postagens repetidas de “descanse em paz” ou “sinto sua falta” na página de uma pessoa e então encarregar uma pessoa de investigar aquela conta. A abordagem de busca de postagens repetidas pode levar a trotes, como já ocorreu com o formulário de notificação. Um amigo de Simon Thulbourn, um engenheiro de software que vive na Alemanha, encontrou um obituário que mencionava um homônimo e o submeteu ao Facebook em outubro passado, como evidência de que Thulbourn estava morto. Ele então se viu sem acesso à sua própria página. “Quando eu ‘morri’, eu comecei a procurar pelas páginas de ajuda do Facebook, mas elas não parecem ter uma seção ‘Eu não estou realmente morto, vocês poderiam devolver minha conta?’, então eu optei por preencher todos os formulários que encontrei no site”, disse Thulbourn por e-mail. Quando isso não funcionou, Thulbourn criou uma página e postou a respeito dela no Twitter, até que a notícia sobre a confusão começou a se espalhar pelos blogs de tecnologia e a empresa notou. Ele recebeu um pedido de desculpas do Facebook e recebeu sua conta de volta. O processo de transformação em memorial tem outras peculiaridades. Os perfis memoriais não podem adicionar novos amigos, de forma que se os pais criarem uma conta após a morte do filho, eles não teriam permissão para ver todas as mensagens e fotos compartilhadas pelos amigos do filho. Essas são questões que o Facebook sem dúvida gostaria de evitar totalmente. Mas a morte, é claro, é inevitável, e então o Facebook precisa encontrar uma forma de integrá-la na experiência social online. “Eles não querem ser portadores de más notícias, mas eles são os guardiões dessas memórias”, disse Katz, o professor da Rutgers. “Isso é realmente chato para uma empresa que quer ser conhecida pelos contatos sociais e boas notícias.” Tradução: George El Khouri Andolfato
Escrito por Li Hsi en Chien às 19h26
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Candidato de R$ 92 mi vive em casebre na periferia de SP
Candidato de R$ 92 mi vive em casebre na periferia de SP Sexto mais rico, Selmo Santos declarou faculdade de R$ 80 mi que não existe
Candidato pelo DEM já foi preso pela PF por tráfico e responde a processos por falsidade ideológica e estelionato
BRENO COSTA DE SÃO PAULO
Dono do sexto maior patrimônio entre os mais de 5.700 candidatos a deputado federal no país, Selmo Santos (DEM-SP) declarou à Justiça Eleitoral possuir participação de R$ 80 milhões numa universidade que não existe. Apesar de declaradamente milionário, o endereço oficial da candidatura de Selmo Santos, 37, é uma casa simples, com tijolos à mostra, sem campainha, vigiada por um vira-lata e com roupas estendidas em um varal. Segundo vizinhos, Selmo mora no local com a mãe, mas eles disseram não saber o telefone da residência. Seu advogado, André Luiz Stival, confirma que ele reside na casa. A Folha foi ao local na segunda-feira, mas não havia ninguém em casa. Procurado desde sexta, Santos, por meio do advogado, não deu explicação sobre a discrepância entre patrimônio declarado e realidade. "Aí é com ele e com a Receita Federal", afirmou. Em março deste ano, Santos foi condenado a um ano e dois meses de prisão, em regime semiaberto, por estelionato. A sentença é da 11ª Vara Criminal de São Paulo. Em 2004, ele já havia sido preso em flagrante pela Polícia Federal por tráfico de drogas. Ainda responde a dois outros processos: um por falsidade ideológica, e outro por estelionato. No registro de sua candidatura no Tribunal Regional Eleitoral, Santos se diz "diretor de estabelecimento de ensino" e dono de bens num total de R$ 91,6 milhões. Além de diretor da Unilma (Centro Universitário Livre do Meio Ambiente), Santos tem carteira de estagiário da OAB e já atuou como defensor de acusados por tráfico e roubo em processos. O Ministério da Educação não tem nenhum registro da Unilma. A faculdade, apesar de não existir, conta com brasão e estatuto registrado em cartório. Está formalmente sediada numa casa na zona leste de São Paulo, segundo registros na Receita Federal. A família que mora ali diz nunca ter ouvido falar da instituição ou de Santos. O estatuto da entidade prevê, como uma de suas fontes de renda, "doações e contribuições de pessoas físicas e jurídicas nacionais, estrangeiras e internacionais". Além da participação na universidade, a declaração de bens de Santos inclui, entre outros, dois imóveis em regiões de luxo em São Paulo e R$ 4 milhões aplicados em caderneta de poupança. Ele consta como um dos três fundadores da entidade, em maio de 2002. À época, tinha 29 anos. Além dele, outras duas pessoas assinam a ata de fundação da instituição: o reitor Luiz Alberto Ribeiro e a pró-reitora acadêmica Maria das Dores Oliveira. Na ata, ambos declaram morar numa mesma casa na Vila Brasilândia, uma das regiões mais pobres de São Paulo, na zona norte. Selmo é um dos 31 candidatos à Câmara pelo DEM-SP. O processo de definição dos nomes do partido foi acompanhado de perto pelo presidente do diretório estadual e prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po2107201002.htm
Escrito por Li Hsi en Chien às 08h15
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Relatório diz que dinheiro americano financia os senhores da guerra afegãos
22/06/2010Relatório diz que dinheiro americano financia os senhores da guerra afegãosDexter Filkins Cabul (Afeganistão) Os contribuintes americanos criaram inadvertidamente uma rede de senhores da guerra por todo o Afeganistão, que estão ganhando milhões de dólares escoltando comboios da Otan e atuando fora do controle tanto do governo afegão quanto dos militares americanos e da Otan, segundo os resultados de uma investigação do Congresso divulgada na segunda-feira. A investigação, iniciada no ano passado pelo Subcomitê da Câmara para Segurança Nacional, descobriu que o dinheiro dado a esses senhores da guerra afegãos frequentemente equivale a pagamentos de proteção ao estilo máfia, com alguns comboios da Otan que se recusaram a pagar sofrendo ataques. Leia mais notícias de jornais internacionais: O subcomitê, liderado pelo deputado John F. Tierney, democrata de Massachusetts, também encontrou evidências sugerindo que o dinheiro do contribuinte americano estava chegando ao Taleban. Vários supervisores de empresas de transporte disseram aos investigadores que acreditavam que os homens armados que contrataram para escoltar seus comboios subornaram talebans para não atacarem.
Os senhores da guerra que são pagos com dinheiro americano, disseram os investigadores, estão minando o governo afegão legítimo que os soldados americanos estão lutando para construir, e provavelmente ameaçarão o governo após a partida dos americanos e da Otan.
A fonte de dinheiro do contribuinte é um contrato de US$ 2,1 bilhões para pagamento do transporte de alimentos e suprimentos para cerca de 200 bases americanas por todo o país árido e montanhoso, que em muitos lugares não possui estradas pavimentadas.
O relatório de 79 páginas, intitulado “Senhores da Guerra S.A.”, pinta um quadro anárquico do Afeganistão contemporâneo, com as principais estradas do país sendo controladas por grupos de homens armados free lance que não respondem a ninguém – e que são pagos pelos Estados Unidos.
O Afeganistão, apontou a investigação, conta com centenas de empresas de segurança privada não registradas e que empregam até 70 mil homens armados em grande parte não supervisionados.
“As principais empresas de segurança contratadas”, disse o relatório, “são senhores da guerra, homens fortes, comandantes e líderes de milícias que competem com o governo central afegão por poder e autoridade”.
“Os senhores da guerra prosperam em um vácuo de autoridade do governo e seus interesses estão em conflito fundamental com as metas americanas de construção de um governo afegão forte”, disse o relatório.
No coração do problema, apontou a investigação, está o fato das forças armadas americanas pagarem para empresas de transporte para levarem seus suprimentos por todo o Afeganistão – deixando que as empresas cuidem de sua própria proteção. As empresas de transporte, por sua vez, pagam aos senhores da guerra e comandantes para fornecerem segurança.
Esses subcontratos, apontou a investigação, são feitos sem qualquer supervisão do Departamento de Defesa, apesar das instruções claras do Congresso para que o departamento realize essa supervisão. O relatório declara que os oficiais militares em Cabul tinham pouca ideia de para quem as empresas de transporte estavam pagando para fornecer segurança ou quanto gastaram nisso, assim como raramente inspecionaram um comboio para descobrir.
O relatório recomenda que as forças armadas acertem os contratos de transporte e segurança separadamente.
Ele também lista os vários senhores da guerra que controlam trechos de estrada no Afeganistão: Ruhullah, que como muitos no Afeganistão tem apenas um nome, tem a reputação de lidar impiedosamente com as aldeias ao longo das estradas que controla; Matiulllah Khan, cuja milícia de 2 mil homens controla a estrada entre Kandahar e Tirinkot; e Abdul Razziq, o comandante da polícia de fronteira em Spin Boldak, uma das principais rotas de caminhões de transporte para o país.
Ruhullah comanda uma força de cerca de 600 homens armados que trabalham para a Watan Gestão de Risco, uma empresa de segurança supervisionada por Rashid e Rateb Popal, que são primos do presidente Hamid Karzai. Em uma entrevista no mês passado, Rashid Popal negou que sua empresa pague aos insurgentes talebans.
O relatório disse que a Watan Gestão de Risco e Ruhullah receberam “várias dezenas de milhões de dólares” para escoltar comboios da Otan.
“Muito depois dos Estados Unidos deixarem o Afeganistão e o negócio de proteção de caminhões fechar as portas, esses senhores da guerra provavelmente continuarão exercendo um grande papel como centros autônomos de poder político, econômico e militar”, disse o relatório.
O relatório detalhou os episódios em que as empresas de transporte que se recusaram a pagar aos senhores da guerra para escolta de seus caminhões foram atacadas pelos mesmos homens. Um executivo de empresa de transporte que se recusou a pagar para Ruhullah disse aos investigadores que seus caminhões foram atacados pelos homens dele. Ruhullah, disse o executivo, “está disposto a explorar impiedosamente a falta de controle militar ao longo das rotas em que atua”. Tradução: George El Khouri Andolfato
Escrito por Li Hsi en Chien às 12h10
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Are we ready to discuss skirt lenghts for men?

from: http://thesartorialist.blogspot.com/
Escrito por Li Hsi en Chien às 14h25
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20/04/2010Amabilidade do Brasil é obstáculo para país ingressar no grupo dos líderes mundiais
Os diplomatas brasileiros são amplamente reconhecidos como negociadores habilidosos, especialmente na área comercial. Mas o país carece de uma rede de pesquisa que lhe informe sobre as visões de mundo conforme as estruturas de, digamos, Washington ou Moscou. Ele não está acostumado aos holofotes da opinião internacional. E, inevitavelmente, o Brasil tem cometido erros. Isso até o momento tem custado pouco para o Brasil. O comércio representa apenas um quinto da economia do país, de forma que a necessidade de cultivar a boa vontade comercial do Ocidente não é um fator decisivo. E o Brasil também não enfrenta problemas imediatos nas suas fronteiras. O Brasil é menos pressionado do que a maioria dos países por problemas de segurança, necessidades econômicas ou políticas domésticas. Ele pode se dar ao luxo de dizer o que deseja – em relação ao Irã ou qualquer outro assunto. Mesmo assim, muitos acreditam que se o Brasil quiser sentar-se à mesa internacional mais importante do mundo ele terá que fazer algumas escolhas difíceis. O Brasil poderia ajudar a fazer com que a rodada Doha de negociações sobre o comércio internacional fosse reativada – com a possibilidade de se beneficiar com isso. Mas isso significaria fazer pressões quanto a certas questões, como a da propriedade intelectual, que poderiam desagradar os seus atuais amigos. Um desafio maior terá início após a eleição presidencial de outubro deste ano, quando o Brasil terá que se virar sem o charme de Lula da Silva. A imagem de império da amabilidade característica pelo país poderá não durar. Tradução: UOL
Escrito por Li Hsi en Chien às 11h04
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20/04/2010Amabilidade do Brasil é obstáculo para país ingressar no grupo dos líderes mundiais Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad (esq.), cumprimenta o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Diplomacia e estilo "paz e amor" de Lula é obstáculo para o país ingressar no grupo de países influentes, diz o Financial Times
Hillary Clinton, tentando conter aquilo que ela teme ser uma rota de guerra no Oriente Médio, está ela própria engajada em um curso belicoso. A secretária de Estado dos Estados Unidos está lutando para convencer países em dúvida dos méritos das sanções propostas contra o Irã. Entre os céticos estão a Turquia (vizinha do Irã), a China (uma descrente tradicional) e o Brasil. O Brasil? Tendo suportado bem a crise financeira global, o país tornou-se importante na comédia das nações, quase sem que ninguém percebesse. Na semana passada, Brasília recebeu os líderes da China, da Rússia e da Índia, na segunda reunião de cúpula dos “Brics” - tendo convidado também a África do Sul por cortesia. Brasil e Turquia preparam mediação para conflito nuclear com o IrãAinda mais notável tem sido a velocidade da ascensão do Brasil. O país participou da primeira reunião do G8 há apenas seis anos, como observador. Naquela época, ele contava com mil diplomatas espalhados pelo mundo. Hoje há 1.400, e o Brasil chegou até a abrir uma embaixada em Pyongyang. “Brasil, Rússia, Índia e China têm um papel fundamental na criação de uma nova ordem internacional”, declarou na semana passada o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse tipo de linguagem imperial seria de se esperar da Rússia ou da China. No caso de Lula da Silva, o ex-líder trabalhista de 64 anos de idade, no entanto, as palavras são adoçadas pela sua imagem global de homem comum – ou “o cara”, conforme Barack Obama certa vez o chamou. Certamente, o líder brasileiro não sentiu nenhum desconforto ao abraçar Hillary Clinton em um dia de março e o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, no dia seguinte – conforme ele pretende fazer novamente durante uma visita a Teerã no mês que vem. “Eu estou infectado pelo vírus da paz”, disse certa vez Lula da Silva. E o ministro da Defesa do Brasil chegou a frisar que o país não tem inimigos. No entanto, essa política do arco-íris adotada pelo Brasil pode estar chegando a um limite, e ela poderia até mesmo ameaçar a cadeira permanente no Conselho de Segurança na Organização das Nações Unidas (ONU) que o país cobiça. Gafes recentes prejudicaram a imagem lapidada do Brasil, e a do seu presidente também. “Um gigante político, mas um pigmeu moral”, afirmou recentemente Moisés Naím, editor da revista “Foreign Policy”. Houve um momento em fevereiro quando Orlando Zapata, um ativista dos direitos humanos de Cuba, morreu, após uma greve de fome de 86 dias. “Greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto de direitos humanos para libertar pessoas”, comentou Lula da Silva, apesar do fato de ele próprio ter feito greve de fome durante a ditadura militar brasileira. Além disso há a vizinha Colômbia, que o Brasil tem criticado devido ao acordo de Bogotá com os Estados Unidos referente a bases militares, embora Brasília ignore o apoio da Venezuela ao movimento guerrilheiro colombiano Farc, bem como a aquisição de armas russas por parte de Caracas. Finalmente, há o Irã. No ano passado, Lula da Silva cumprimentou Ahmadinejad pela sua contestada vitória eleitoral. Após comparar os manifestantes iranianos a maus perdedores de uma partida de futebol, ele convidou Ahmadinejad para visitar o Brasil. A iniciativa fez parte do papel que Brasília adotou, de pacificador de todos, e que neste caso consiste em apoiar o direito do Irã à energia nuclear, mas não a armas nucleares. Leia mais notícias dos jornais internacionais:Para os críticos, essa é uma política externa irritante – narcisista e ingênua. Mas, assim como todos países poderosos, o Brasil está buscando aquilo que acredita ser do seu interesse. Se ele está fazendo isso de forma efetiva é uma outra questão. (continua no próximo post)
Escrito por Li Hsi en Chien às 10h58
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Serra Leoa: o pior lugar do mundo para engravidar(última parte) As taxas também obrigaram os pobres a vender bens ou pegar dinheiro emprestado a juros exorbitantes quando estavam doentes. Na República Democrática do Congo, descobriu-se que as taxas reduziram tanto o uso “frívolo” do sistema de saúde que o cidadão médio só visitava uma clínica uma vez a cada 6,76 anos. Por toda a África, as taxas foram responsáveis por apenas 5% dos orçamentos de saúde – bem menos do que o prometido pelo Banco Mundial. Enquanto isso, as estatísticas do setor de saúde não melhoraram. Mas o Banco Mundial e outras instituições não recuariam. A maioria dos autores da Iniciativa Bamako ainda estava em seus escritórios de trabalho e, conforme diz um analista, “eles construíram as suas carreiras sobre as taxas pagas por usuários”. Foi montada uma defesa acalorada, que alegava que quando uma estrutura de saúde é bem administrada – significando que as verbas dos doadores são usadas para o pagamento de salários dos profissionais de saúde, em vez de desaparecerem no processo –, o sistema funciona. No entanto, ficou claro a partir das estatísticas da ONU que na maioria dos países a utilização dos serviços de saúde estava caindo. Nos países mais problemáticos, as taxas transformaram-se no único meio de manter as clínicas de saúde básica funcionando – e passaram a ser um elemento fundamental dos salários dos indivíduos que nelas trabalhavam. A rebelião contra a ortodoxia das taxas pagas pelos usuários teve início com toda intensidade em 2001. Poucos dias antes de uma eleição, o presidente ugandense Yoweri Museveni anunciou uma nova política de serviços de saúde gratuitos para todos. Rob Yates, atualmente um assessor graduado da área de saúde do Departamento de Desenvolvimento Internacional britânico, à época trabalhava no Ministério da Saúde de Uganda. “Eu acreditava nas taxas pagas pelos usuários, e duvidava bastante de que a nova política fosse funcionar”, conta ele. Mas Yates logo foi persuadido. Depois que o sistema de saúde gratuito foi instituído, o comparecimento às clínicas de saúde dobrou. Metade dos clientes pertencia ao grupo dos 20% mais pobres do país. “As taxas pagas pelo usuário estavam claramente excluindo os pobres – exatamente os indivíduos que eram o alvo original do programa”. Yates e outros começaram a divulgar a notícia, armados de uma quantidade enorme de indicadores. No Quênia, quando se cobrou das mulheres apenas 50 pences por um mosquiteiro tratado com inseticida (uma das medidas profiláticas de baixo custo mais eficientes contra a malária), a demanda pelo produto sofreu uma queda de 75%. O uso de vermífugos – um fator importante no desenvolvimento infantil – caiu 80% quando se aplicou uma pequena taxa sobre essas drogas. E, em outubro de 2005, a Iniciativa Bamako recebeu um golpe fatal na forma de um estudo publicado no periódico “British Medical Journal”. O estudo utilizou dados epidemiológicos de 20 países africanos e projetou o que aconteceria se as taxas pagas pelos usuários fossem removidas. A conclusão foi que, a cada ano, as vidas de 233 mil crianças com menos de cinco anos de idade seriam salvas. Percebendo o sucesso de Uganda, em 2006 o Senegal e Burundi prometeram fornecer serviços de saúde gratuitos a gestantes – apesar da oposição contínua das agências internacionais. Mas os países doadores começaram a mudar de ideia. Em um relatório de 2006, o Departamento de Desenvolvimento Internacional britânico anunciou o apoio aos países que desejassem acabar com a taxa paga pelos usuários, uma medida que foi em breve adotada pela União Europeia. Àquela altura, muitos dos analistas acreditavam que a abolição das taxas pagas pelos usuários poderia ser, de longe, a medida mais eficiente em termos de custos na área de saúde materna e da criança. Aliada à imunização universal, ela significou que os países pobres da África poderiam, afinal, alcançar as suas metas de desenvolvimento na área de saúde para o milênio. Quase 60% dos nascimentos em Burundi ocorrem agora em instalações de saúde – há cinco anos esse número era de apenas 25%. Atualmente, Zâmbia, Burundi, Níger, Libéria, Quênia, Senegal, Lesoto, Sudão e Gana acabaram com as taxas. Em abril será o momento de os países mais pobres da África adotarem a medida. Com o apoio do Departamento de Desenvolvimento Internacional britânico, Serra Leoa abolirá as taxas para mulheres grávidas e crianças com menos de cinco anos. Mas algumas vozes recomendam cautela. Dan Harris, pesquisador do Instituto de Desenvolvimento Externo, em Londres, observou a transição em Uganda. Ele diz que pouco depois da abolição das taxas, em 2001, problemas antigos ressurgiram. “O grande aumento do uso do sistema resultou em carência de medicamentos e obrigou as pessoas a recorrerem a clínicas particulares. No fim das contas, o número de pessoas que tiveram que fazer pagamentos catastróficos pelo serviço de saúde não diminuiu muito”. “Há riscos ao se reduzir as taxas muito rapidamente, e é necessário garantir que não haja nenhum financiamento alternativo em vigor, especialmente para profissionais de saúde”, diz Chris Rogers, que foi um dos principais pesquisadores do trabalho publicado no “British Medical Journal” e que atualmente trabalha para a OMS no sudeste da Ásia. O financiamento do sistema de saúde continua sendo um tópico polêmico. As grandes agências médicas atualmente favorecem certas formas de seguros de saúde, mas isso provavelmente só funcionaria em locais dotados de bons serviços de saúde. Há ideias mais radicais circulando, especialmente em áreas como a de saúde infantil. Em alguns Estados indianos, o governo fornece verbas às mulheres grávidas para que estas usem o dinheiro como lhes aprouver dentro do sistema de saúde; e o México fez o mesmo. Em certas regiões de Serra Leoa, as autoridades passaram a multar as mulheres que não dão à luz em uma clínica. A Oxfam propõe que os índices de mortalidade materna sejam considerados um fator fundamental do desempenho de um país, em vez dos índices de trabalhadores saudáveis ou dos números relativos a gastos per capita. E, o mais importante, Rob Yates garante que, no futuro, nós procuraremos as evidências de que determinadas regras surtem efeito antes de impô-las aos países pobres. “Esse processo não parece ter funcionado no final da década de oitenta”, escreveu ele no periódico “The Lancet”. “Nós deveríamos ter sabido que tirar dinheiro de pessoas pobres quando estas estão doentes não é uma boa ideia”. (Alex Renton escreve para o “Times” de Londres e para o “Observer”). Tradução: UOL
Escrito por Li Hsi en Chien às 12h57
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09/04/2010Serra Leoa: o pior lugar do mundo para engravidar Jebbeh Amara posa para foto ao lado dos filhos, em Serra Leoa. No ano passado, Amara perdeu um bebê com malária, devido à falta de acesso ao tratamento. A malária é a doença que mais mata em Serra Leoa, uma ex-colônia britânica na África Ocidental, classificado pela ONU como o país menos desenvolvido do mundo
Serra Leoa exibe regularmente os piores índices de mortalidade infantil e materna do mundo. O índice leonês de 2.000 mortes de mães por 100 mil partos (segundo o Unicef e a Organização Mundial da Saúde) talvez seja o pior do mundo. A média da África subsaariana em 2005 era de 900; na Europa Ocidental a média é de nove. Na África subsaariana, 250 mil mulheres morrem durante o parto todos os anos, sendo que um terço desses óbitos é provocado por problemas simples como hemorragias. Em muitos países, o parto é a causa mais comum de morte de mulheres jovens. A morte durante o parto é uma tragédia e isso mexe com a consciência dos países ricos. Talvez como resultado disso, as verbas para essa área têm aumentado – de 1,4 bilhão de libras esterlinas (R$ 3,8 bilhões) para 2,3 bilhões de libras esterlinas (R$ 6,2 bilhões) por ano entre 2003 e 2006, segundo a Oxfam. Os gastos com saúde no mundo em desenvolvimento triplicaram na última década. Sendo assim, por que os índices de mortalidade materna continuam tão elevados? Os analistas de desenvolvimento têm duas respostas. A primeira é a moderna alegação de que “o auxílio humanitário não funciona”, promovida no ano passado em “Dead Aid” (“Auxílio Morto”), um livro da economista zambiana Dambisa Moyo. Moyo afirma que injetar dinheiro em países necessitados sem que haja sistemas para assegurar o emprego apropriado das verbas é algo que promove o clientelismo, a dependência e governos corruptos e ineficientes. Ela pode ter razão. Nos últimos três anos, Serra Leoa recebeu mais de US$ 250 milhões (R$ 444 milhões) da Unicef, do Departamento de Desenvolvimento Internacional britânico e do Banco Mundial para melhorar o sistema de saúde do país – e o ex-ministro da Saúde leonês está aguardando julgamento pelo crime de corrupção. Leia mais notícias dos jornais internacionais:Mas há um outro argumento que é exposto por organizações como a Oxfam, que sustenta que quando o auxílio não surte efeito, isso se deve em parte às condições e ideias que os doadores impõem aos países que recebem as verbas. E, se esse sistema de ajuda pode fracassar de várias formas, os fatores responsáveis pela mortalidade infantil são igualmente numerosos, a começar pelas questões culturais. O mesmo vale para os problemas relativos à infraestrutura e à mão-de-obra. Mas em três outras áreas, tentativas de melhorar a saúde materna (e a sobrevivência dos recém-nascidos) fracassaram por causa de preocupações de ordem ideológica das nações doadoras. Essas áreas são, em ordem de importância ascendente: dependência dos sistemas de parto tradicionais, a suspensão de verbas para planejamento familiar e, a mais controversa, a cobrança pelo acesso a serviços médicos. Na primeira área, foram feitas tentativas de sanar a carência de profissionais de saúde com a reforma de sistemas que existiam havia séculos. Em muitos países, especialmente na África, grandes somas foram investidas no treinamento de parteiras tradicionais. Os resultados foram decepcionantes. Com bastante frequência, descobriu-se que havia menor probabilidade de essas parteiras procurarem auxílio profissional quando acontecia algo de errado. “Se quisermos reduzir a mortalidade materna, não há lugar para as parteiras tradicionais. Quando tentam realizar partos difíceis e anormais, elas criam problemas para nós, e provocam mortes”, afirma Ibrahim Thorlie, consultor chefe do Hospital Maternidade Princesa Christian. Não é possível obter índices modernos de sobrevivência sem instalações modernas. A segunda área é pura ideologia. Embora tenha aumentado as verbas para a saúde na África, o governo Bush cancelou os fundos para o planejamento familiar, motivado pelo desejo da direita cristão de promover a abstinência sexual. É difícil estimar o impacto disso, mas no ano passada a Organização das Nações Unidas (ONU) calculou que 215 milhões de mulheres em todo o mundo não têm acesso a métodos contraceptivos. Em Serra Leoa, acredita-se que menos de 4% das mulheres usem tais métodos. E a ideologia também motiva aquele que pode ser o fator mais importante: taxas pagas pelos usuários. Em 1987, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) convocaram uma reunião de cúpula em Bamako, em Mali. A pedido do Banco Mundial, ministros da Saúde de países africanos concordaram em instituir taxas baseadas em pontos segundo o nível de utilização do sistema de saúde, como parte dos planos de ajustamento estrutural que foram aplicados nos países em desenvolvimento para reduzir os gastos estatais. O princípio de taxas pagas pelos usuários, conhecido como Iniciativa Bamako, foi apoiado pelos principais protagonistas internacionais na área de saúde de países doadores como o Reino Unido. O Banco Mundial calcula que a renda com as taxas pagas por usuários representaram uma parcela de 15% a 20% dos orçamentos para a saúde. As taxas também reduziram o uso perdulário e “frívolo”, especialmente de medicamentos. Aquilo pelo qual se paga é usado de maneira apropriada: o mesmo argumento que introduziu as cobranças por remédios adquiridos mediante receita médica pelo Sistema de Saúde Nacional do Reino Unido. Em meados da década de noventa, a Iniciativa Bamako foi um elemento central da política de auxílio para serviços públicos. Mas à medida que foram emergindo pesquisas sobre os efeitos das taxas pagas pelos usuários, aumentou a oposição a esse sistema. Algumas das organizações de auxílio mais radicais, como a Médicos sem Fronteiras, a Oxfam e a Save the Children, criaram campanhas contra ele. A ONU e instituições financeiras continuaram apoiando a iniciativa, ainda que as evidências demostrassem que as taxas estavam desencorajando os usuários mais pobres a usar as clínicas de saúde. (continua no próximo post)
Escrito por Li Hsi en Chien às 12h56
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12/04/2010O automóvel elétrico quer mudar sua vidaManuel Gómez Blanco Madri (Espanha) -
 O smart fortwo, com baterias de lítio, é exposto em estande no Salão Internacional do Automóvel de Paris, na França
O veículo se comunicará com o motorista para ajudá-lo a dirigir. Não será mais preciso comprá-lo e ele poderá armazenar e revender energia. A chegada do carro elétrico obrigará a mudar a forma de dirigir e de circular nas cidades, mas afetará também outros aspectos da vida cotidiana. A princípio, sua autonomia limitada trará inconvenientes, mas ensinará a aproveitar a energia de forma mais eficiente. O automóvel dará todo tipo de informação ao motorista, desde o melhor trajeto até os postos de recarga livres ou a autonomia, e chamará o guincho ou a ambulância de forma automática em caso de acidente. A gestão inteligente da eletricidade das baterias também trará benefícios econômicos no futuro. E haverá novas alternativas para usar o automóvel sem comprá-lo. O usuário de um carro elétrico deverá fazer mudanças em sua rotina diária. Assim, provavelmente muito antes de 2015, ao levantar pela manhã e ligar o carro, receberá uma mensagem como esta: “As baterias de seu automóvel estão carregadas. Se deseja ligar o ar condicionado, escolha a temperatura”. Enquanto toma um banho, o carro ligará a calefação, usando a eletricidade da casa ou do poste de energia da rua para não gastar bateria ao preparar o interior do veículo. Utilizar um carro elétrico terá inconvenientes, ainda que transponíveis. Sua autonomia limitada exigirá dirigir com mais suavidade, aproveitar a inércia e evitar acelerações e freadas bruscas. Será necessário também escolher os trajetos mais curtos, e principalmente não abusar de acessórios como o ar condicionado: ele pode reduzir em 10% a autonomia em dias quentes. Para se ter uma ideia, dirigir um carro elétrico será a princípio como se hoje saíssemos de casa todos os dias com a luz da reserva acesa, ou com um quarto do tanque, e isso tivesse que durar o dia todo. Como as recargas serão muito mais lentas do que nos postos de gasolina atuais, será necessário prevê-las, porque elas levarão mais tempo. Leia mais notícias dos jornais internacionais:A princípio, parece um inconveniente, mas a realidade é que, segundo vários estudos de mobilidade, cerca de 60% dos espanhóis percorrem menos de 36 quilômetros por dia, e 80% a 90% dos motoristas das grandes cidades europeias não chegam a percorrer 25 quilômetros por dia. Se as previsões dos frabricantes forem cumpridas e os primeiros carros elétricos à venda oferecerem de 130 a 180 quilômetros de autonomia, poderão suprir essas necessidades com folga, exceto em situações excepcionais. A comunicação entre o carro elétrico e o motorista também será algo habitual, e acontecerá através do telefone celular ou do navegador. Por exemplo, se a distância prevista para o dia superar a autonomia disponível, bastará programar um destino intermediário no GPS e ele mostrará os postos de recarga livres mais próximos, reservando o que interesse. Assim, ao estacionar, o posto reconhecerá a reserva e só então iniciará a recarga. O valor poderá ser pago de várias formas: cartão de crédito, pela conta de luz ou por telefone, ou com cartões pré-pagos dos fabricantes e outras companhias. E a concorrência permitirá mais descontos, tarifas especiais de acordo com o horário e programas de fidelização, como nas companhias aéreas. Os sistemas eletrônicos dos carros elétricos também se comunicarão entre si (Car to Car) e avisarão sobre qualquer incidente, como acidentes ou engarrafamentos, propondo itinerários alternativos. E também chamarão automaticamente o guincho ou a ambulância se houver um acidente: a chamada será ativada assim que o airbag se abrir. Essas funções já estão disponíveis em alguns modelos e países, mas a tecnologia dos elétricos permitirá incorporá-las antes que os demais carros. A autonomia limitada dos veículos com baterias ajudará a mudar alguns hábitos na hora de comprar o automóvel ou pagar pelo seu uso. Nos primeiros anos, até 2013 a 2015, os fabricantes oferecerão os carros elétricos principalmente através de aluguel ou leasing, com quotas mensais que incluirão a manutenção e a substituição das baterias se for necessário. Mas algumas marcas lançarão novos serviços acessíveis para que o usuário dos elétricos possa dispor de carros mais apropriados para viajar nas férias e fins de semana se precisar. Assim, não será necessário adquirir um carro familiar grande se ele só será usado alguns dias por ano. Entretanto, a grande mudança chegará por volta de 2020, quando as redes elétricas inteligentes se generalizarem. Então o carro elétrico poderá funcionar também como um armazém de energia: poderá ser carregado nas horas de menor consumo com tarifas mais econômicas (quase sempre à noite) e dar lugar à casa (luz, calefação, eletrodomésticos) na horas de pico, quando não será usado, para reduzir a fatura mensal. Ele poderá até mesmo ser carregado de dia com uma placa solar no teto e revender a energia às companhias elétricas para que cubram seus picos de demanda. Segundo uma palestra apresentada no Colégio de Engenharia Industrial de Madri por Fernando Soto, chefe de Planejamento de Rede Elétrica: “Se a maioria das recargas forem feitas nas horas menos concorridas, o aumento da demanda do carro elétrico não exigiria ampliar a capacidade de geração instalada na Espanha. Poderíamos até aproveitar melhor a atual e integrar melhor as energias renováveis (solar, eólica...)”. A capacidade e tecnologia das baterias de ion-lítio abre a possibilidade para inúmeros novos negócios, inclusive no final de seu ciclo de vida. Depois de cinco ou sete anos de uso, elas perderão cerca de 20% de sua capacidade de carga e autonomia, mas servirão para armazenar eletricidade em casa ou formando painéis em centrais elétricas ou parques eólicos, para utilizar sua energia nas horas de mais demanda. A Nissan tem um acordo com a Sumitomo para desenvolver um negócio com baterias usadas no Japão. A implantação do carro elétrico será progressiva e conviverá com os carros atuais por pelo menos dez ou 15 anos, na melhor das hipóteses. Segundo as previsões dos fabricantes, eles responderão por 10% do mercado mundial em 2020, cerca de seis milhões por ano. Mas a rapidez do processo dependerá das baterias. Enquanto não superarem os 300 quilômetros de autonomia ou não existam postos para recarregá-las em cinco minutos sem reduzir sua vida útil, os elétricos serão carros para a cidade. As baterias atuais de ion-lítio dificilmente alcançarão esse número de quilômetros sem aumentar o peso do carro e reduzir o conforto, mas já estão sendo pesquisadas reações químicas mais eficientes. Segundo Jose Manuel Amarilla, do Centro Superior de Pesquisas Científicas (CSIC): “As próximas baterias de lítio-fosfato de ferro, e lítio-manganês reduzirão os custos, mas a grande esperança são as de lítio-ar, que poderiam quadruplicar o rendimento atual, ainda que ainda existam grandes desafios por resolver.” Com essas melhorias, os elétricos poderiam chegar a 500 quilômetros de autonomia e aproximar sua capacidade à dos carros atuais nas viagens longas. E o processo de substituição seria acelerado enormemente. Entretanto, as marcas lançarão vários tipos de elétricos, uns para a cidade e outros com baterias que poderão ser trocadas em cinco minutos num posto. Ainda que agora existam modelos semiartesanais, como o Think, o tiro de largada na Espanha acontecerá no final do ano com a chegada dos Mitsubishi Mi-EV, Peugeot Ion e Citroën C-Zero, um mesmo utilitário de 3,4 metros (chassis, baterias e motores iguais) com a imagem de cada marca. Eles têm quatro lugares, 130 quilômetros de autonomia. Sairão por 20 mil euros, mais o aluguel de suas baterias de tirar e por, que será amortizado pelo baixo consumo com um uso intensivo: a recarga para percorrer 100 quilômetros com um carro elétrico custará entre 1 e 1,50 euro, em comparação a 5 euros dos melhores motores diesel. Em 2012 será lançado o Nissan Leaf, um compacto tipo Golf, com 150 quilômetros de autonomia e preços entre 15 mil e 20 mil euros, mais o valor das baterias. Ao mesmo tempo chegarão novos híbridos – com motor térmico e um ou vários elétricos – com tecnologias muito variadas para ampliar a autonomia no modo elétrico. Em alguns casos o motor de combustão só funcionará como gerador para carregar as baterias em marcha quando elas se esgotarem: Chevrolet Volt e Opel Ampera (2011). Em outros ele será ligado a certa velocidade ou ao esgotar a bateria (Toyota Prius Plug-in). Mas todos gastarão menos de três litros, como os híbridos diesel que a Peugeot e a WV estão construindo. Entretanto, pelo menos até 2012, a oferta de carros elétricos será absorvida quase totalmente por instituições e empresas, sobretudo de frotas de entregas: o uso intensivo permitirá amortizá-los melhor e fará que seja rentável para os fabricantes montarem postos de recarga em suas bases e sedes. Tradução: Eloise De Vylder
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2010/04/12/este-automovel-quer-mudar-sua-vida.jhtm
Escrito por Li Hsi en Chien às 12h37
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Tribos da Amazônia encontram um aliado no diretor de "Avatar"
11/04/2010Tribos da Amazônia encontram um aliado no diretor de "Avatar"Alexei Barrionuevo Volta Grande do Xingu (Brasil) Eles vieram dos confins da Amazônia, viajando em barcos pequenos e canoas por até três dias para discutir seu destino. James Cameron, o titã de Hollywood, estava diante deles com listras laranjas de guerreiro pintadas em seu rosto, comparando as ameaças à suas terras com às de uma cobra comendo sua presa. “A cobra mata esmagando lentamente”, disse Cameron para mais de 70 índios, alguns segurando lanças e arco-e-flecha, sob uma árvore às margens do rio Xingu. “É assim que o mundo civilizado avança lentamente para dentro da floresta e toma conta do mundo que costumava existir ali”, acrescentou. Como se quisesse enfatizar o argumento, poucos segundos depois uma cobra verde venenosa caiu de uma árvore, a poucos metros de onde a mulher de Cameron estava sentada num tronco. Alguns gritos ecoaram. Os moradores saíram correndo. A cobra foi morta. Os líderes indígenas começaram uma dança de agradecimento, que terminou no barco que levou Cameron embora. Todo o tempo Cameron dançou de forma hesitante, brandindo uma lança, com um cocar de chefe com penas brancas e amarelas em sua cabeça. Desde que escreveu o roteiro de “Avatar”, sua história épica da batalha da ganância contra a natureza, há 15 anos, Cameron diz que se tornou um ávido ambientalista. Mas disse que até viajar para a Amazônia brasileira no mês passado, sua militância estava limitada principalmente à forma ambientalmente responsável que ele tentava viver: com energia solar e eólica em sua casa em Santa Bárbara, e dirigindo carros híbridos e cuidando de sua própria horta orgânica com sua mulher. “Avatar” - e seus quase US$ 2,7 bilhões (cerca de R$ 4,8 bilhões) em ingressos vendidos – mudou tudo isso, inundando Cameron de elogios por ter ajudado a “emocionalizar” os temas ambientais e de pedidos para que ele se envolvesse mais. Agora, diz Cameron, ele foi incentivado a agir, a falar contra a destruição do meio ambiente que ameaça grupos indígenas em todo o mundo – uma causa que está alimentando sua indignação e inspirando seu trabalho para um sequência de “Avatar”. “Qualquer experiência direta que eu tenho com grupos indígenas e suas dificuldades podem alimentar a natureza da história que eu escolher contar”, diz ele. “Na verdade, é quase certo que isso aconteça.” Referindo-se à sua viagem à Amazônia, ele acrescentou: “Isso só me deixa mais indignado.” Cameron está tão entusiasmado que está planejando voltar à Amazônia esta semana, desta vez com Sigourney Weaver e pelo menos outro integrante do elenco de “Avatar”. O foco da visita é a grande usina de Belo Monte, planejada pelo governo brasileiro. Seria a terceira maior do mundo, e os ambientalistas dizem que ela inundará centenas de quilômetros quadrados da Amazônia e secará uma extensão de 96 quilômetros do rio Xingu, devastando as comunidades indígenas que vivem às suas margens. Durante anos o projeto ficou engavetado, mas o governo agora planeja fazer um leilão de concessão para a construção da usina. Impedir a hidrelétrica se tornou uma nova cruzada pessoal para o diretor, que visitou o país durante um conselho especial formado por líderes indígenas de 13 tribos para discutir suas últimas opções. Foi a primeira visita de Cameron à Amazônia, diz ele, embora tenha baseado o planeta fictício de “Avatar” nas florestas tropicais da região. Ainda assim, ele achou inegável a semelhança do tema de seu filme com a vida real. A hidrelétrica é um “exemplo quintessencial do tipo de coisa que estamos mostrando em 'Avatar' – a colisão da visão de progresso de uma civilização tecnológica à custa do mundo natural e das culturas dos povos indígenas que vivem lá”, diz ele. Cameron disse que estava escrevendo uma carta para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo para que ele reconsidere a hidrelétrica e disse que irá pressionar para se encontrar com o presidente. “Eles precisam ouvir essas pessoas”, diz ele. Cameron, 55, tomou contato com a causa em fevereiro, depois de receber uma carta de organizações de defesa ambiental e grupos nativos norte-americanos pedindo a Cameron para enfatizar “as Pandoras reais do mundo”, referindo-se ao mundo vicejante que é atacado em seu filme. Atossa Soltani, diretora-executiva da Amazon Watch, que acompanhou Cameron em sua viagem no mês passado, disse que o diretor ficou entusiasmado com a ideia de aprender mais, e contou que cresceu nos bosques canadenses e já fez milhares de mergulhos nos oceanos do mundo todo. Já a aventura de Cameron na Amazônia teve um começo conturbado. O barco em que ele viajava para o vilarejo inundou por causa de uma mangueira desconectada. Cameron ajudou a tirar a água com um balde de plástico durante algumas horas no sol escaldante do meio-dia, disse ele e outros que estavam no barco. Muitos dos líderes indígenas que ele planejava visitar nunca haviam ouvido falar do diretor, muito menos visto seu filme. Tudo o que eles sabiam era que um “poderoso aliado” participaria da reunião, disse Soltani. Assim, na noite anterior à chegada de Cameron e sua mulher, Suzy Amis, com três guarda-costas, cerca de uma dúzia de moradores se reuniram na casa de José Carlos Arara, chefe da tribo Arara, para assistir a um DVD de “Avatar”. “O que acontece no filme é o que está acontecendo aqui”, disse Arara, 30. Na manhã seguinte à que a comitiva de Cameron chegou ao vilarejo, Arara os levou para uma caminhada pela floresta. Cameron, quase repetindo o encantamento dos cientistas em seu filme, estava calmo, mas com os olhos arregalados, enchendo o chefe de perguntas sobre a flora e a fauna local e sobre as tradições indígenas. Em poucos segundos, o chefe mostrou como usar folhas para confeccionar uma faixa para os tornozelos para subir no pé de açaí. Os líderes então convidaram Cameron para participar de sua reunião. Ele se sentou numa pequena carteira escolar enquanto eles discursavam condenando a ameaça da hidrelétrica e o governo brasileiro. Cameron quase chorou quando alguns líderes disseram que estavam dispostos a morrer para impedir a hidrelétrica. Por fim, Cameron foi convidado a falar. Ele se levantou e cumprimentou os líderes por sua união, dizendo que eles precisavam lutar contra as tentativas do governo de separá-los e enfraquecer sua resistência. “É assim que podemos impedir a cobra; é assim que podemos impedir a hidrelétrica”, disse. A multidão aplaudiu. Quando a cobra de verdade caiu da árvore, o diretor parecia calmo. Depois de se livrarem dela, os líderes indígenas agradeceram presenteando Cameron. Um deu a ele uma lança, o outro um colar de sementes vermelho e preto. Um terceiro, o chefe Jaguar da nação Kaiapó, um dos mais respeitados do Brasil, deu a ele seu cocar antes de começarem as danças em homenagem a Cameron. “Não é que exista alguma pressão sobre mim ou algo do gênero”, disse ele, brincando, momentos antes de embarcar. “Essas pessoas de fato esperam que eu faça alguma coisa em relação à sua situação. Temos que impedir essa hidrelétrica. Todo o seu modo de vida, sua sociedade da forma como eles a conhecem, depende disso.” Tradução: Eloise De Vylder
Escrito por Li Hsi en Chien às 19h11
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Final Feliz
Foi à esquina comprar cigarros e voltou 5 minutos depois. Não tinha a marca preferida dele: CancerLights.
Escrito por Li Hsi en Chien às 16h28
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